Bernardo Márquez: Como no caso de Os detetives selvagens, o grande romance de Ricardo Piglia também é uma colagem de textos, sobretudo um diário e narrativas longas. Aliás, o paralelo continua, por que também aqui a intenção é reconstruir a biografia de uma pessoa obscura e um tanto misteriosa. O livro, porém, extrapola a América Latina e vai parar na Europa de um jeito quase meio delirante. Chegamos a assistir à sugestão de um encontro muito improvável entre o nazista Adolf Hitler e o escritor Franz Kafka. Como é normal na literatura argentina, as personagens discutem outros escritores e Jorge Luis Borges não poderia ficar de fora. É um mundo intelectualizado, mas ao mesmo tempo truculento e com certa violência. O livro costura tudo isso sem tornar-se tenso demais, já que as associações delirantes deixam tudo mais leve.






